Não tenho filosofia. Eu tenho poesia

SOLIDÃO DE CAVALOS


Você às vezes se irrita comigo, mas olhe eu aqui, nesta cela solitária, 24 horas por dia, sem poder correr como gostaria, longe dos meus amigos, sem poder brincar ou brigar, sem poder deitar-me ao sol ou rodopiar embaixo de uma chuva. Eu sou forte o suficiente para derrubar tudo isso, inclusive você, e ir embora. Mas me esqueci de como era ser selvagem, resignei-me aos seus cuidados às vezes tão bons, às vezes tão estranhos e dolorosos; resignei-me, dominado por uma força que também não compreendo.
Sabe, às vezes, eu só tenho você para me tocar, para coçar minha cauda ou me adoçar a boca. Você tem sua casa, sua família, seus amigos, seu trabalho, seu sono tranqüilo, sua liberdade. Eu só tenho você e a visão de um mundo que não me pertence mais.
Não preciso de carícias, nem banhos, nem raspagens; não queria selas, freios, ferraduras... Mas, de repente, passei a acreditar que de você eu preciso...
Cuida de mim.
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