Não tenho filosofia. Eu tenho poesia

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Despeço-me desses raios de sol...




Tem dias que fico sem palavras para expressar o quão a natureza é bela. Sinto-me privilegiada de poder olhar com estes olhos ainda curiosos pelo mistério das coisas. A lua alta e cheia se exibe no céu azul-marinho do entardecer do outono que começa. E silhuetas de árvores trazem um tom sombrio que dá vontade de mergulhar noite adentro e desbravar os segredos dos sons e das dimensões escondidos por trás das sombras. A luz da lua é dourada hoje e ela inaugura mais uma estação. Despeço-me desses raios de sol dando adeus a mais um verão. Pela noite, ainda quente, sopra um vento frio esparramando poeira das estrelas que ainda viajam anos-luz pelo espaço mesmo depois de tantos milênios de explosão. Sinto dentro de mim folhas caindo. Uma parte de mim uiva enquanto a outra, humana, tenta se desapegar das folhas já velhas e ressequidas. É tempo de deixar ir. Sinto-me ao meio de uma travessia, que poderia ser o início, também poderia ser o fim, e pelo que trago quero apenas sentir gratidão. Abraçar uma criança ainda é se abrir para o mundo e hoje consegui dar um passo à frente, tive minha inocência tocada por um olhar que me sorria descompromissadamente. Eu queria que as pessoas não perdessem isso. Eu não queria perder isso. E tudo o que sei é que aquele momento valeu a pena demais. Estive tão distante da minha poesia e é frio demais sem ela caminhar. Eu sinto demais e, apesar do risco de se machucar, não há vida onde não há sentir. Então esta noite dentro de mim que me traz um eterno amanhecer de emoções novas e antigas. As árvores só crescem conforme deixam suas folhas velhas caírem e é um espetáculo dolorosamente lindo.


Elayne Amorim

Saga do Universo

Os bits do tempo estão em volta, a nossa singularidade está em ficarmos pertos um do outro, quando nós encontramos parecemos uma supernova, prontos para explodir de paixão e desejo, na razão da consciência humana, colidimos como duas estrelas de nêutrons, ficamos correndo, em volta de um buraco negro às vezes sem luz, esperando ser levamos para outra dimensão. Vida simples, somos novos em relação à imensidão do universo!
Quando quantificamos o amor estamos procurando os resquícios da nossa origem, o tempo está em Gigas ou Teras de informações, ainda jovens para entender, a rotação da vida está em uma volta da galáxia.
O meu amor está em como uma pequena estrela adolescente, aprendendo os mistérios do espaço-tempo, levando milhares de anos para poder compreender.
Vivo para te compreender e conhecer os teus mistérios como universo que, por mais que procuremos, ainda vamos sempre encontrar maravilhosas e belíssimos segredos do seu ser!


Quando ficamos parados no tempo, sem ar ou apenas sem o que falar, estamos travados em um universo sem uma ligação para voltar à realidade!  Como na matrix, estamos perdidos sem o nosso operador, não encontrando uma linha segura para realizar a passagem por esse momento. A realidade é turva, sem lógica, quantificamos o espaço, o tempo... qual é a verdadeira medida? Sendo que temos a nossa principal busca em encontrar o amor!

Natal é convite



Ainda estamos num período natalino, não é? Não foi apenas aquela ceia maravilhosa, brindes e sorrisos ao ar, uma celebração bonita... Talvez, para tantos, que alívio! ainda bem que já passou a data fatídica que traz à lembrança tantos entes amados que já se foram.
Mas ainda é um período natalino. As luzinhas coloridas acesas, presépio montado ou somente uma árvore, os finais das comidas gostosas e temperos exóticos que ficam circulando uns dias sobre a mesa. Quem sabe alguns tiveram um frango para o natal, uma garrafa de vinho, ou nem isso.
Porém, é natal. A gente ouve e fala tanta coisa e depois acontece de os dias passarem e aquelas palavras e desejos parecerem se perder pelo ar. Será que tomamos cuidado para guardar em nossos corações as palavras bonitas e os desejos bons que vão se renovando nesta época?
Logo depois se segue um novo ano e vem tudo à tona: a explosão de desejos que ele seja melhor, que possamos concluir projetos abandonados pelo caminho; desejamos; brindamos; algumas vezes, praticamos até certos rituais que a olhos de outros são chamados de superstições ou baboseiras... mas na dúvida, por que não?
Porém, e o natal?
No natal comemora-se o nascimento de Cristo. Há os que não comemoram. Há os que gostam e os que não gostam da época. Contudo, o mais interessante é que é uma época que nos convida a parar um pouco; parar. Refletir. Talvez, mais do que falar ou prometer a nós mesmos, silenciarmos um pouco e prestar atenção em nossos sentimentos. É tão difícil, às vezes, ficarmos um pouco sozinhos com nós mesmos e testarmos nossos limites, frustrações, sonhos, esperanças. É uma época que nos convida a crer, a se renovar, a seguir com alegria e procurar fazer o bem, apesar de tudo; apesar de toda crise, de toda maldade para a qual os seres humanos demonstram ser capazes, apesar de.
Lugar comum? Sim, talvez. E por quê? Exatamente porque está se tornando lugar comum aceitar o mal, a maldade, a descrença, a resignação diante das injustiças.
O que o natal nos traz é exatamente o contrário. É um convite a sairmos do conforto, das mesmas frases reproduzidas sempre, a olhar para dentro e tentar ver no outro a própria humanidade também. Nós somos todos diferentes e, no entanto, somos iguais na fragilidade de nossa vida humana. Olhar para dentro e tentar enxergar a si mesmo: o que realmente é importante para você? O que realmente você precisa (se) perdoar? Qual é o sonho que faz você suar frio só de pensar? Quem de fato compõe o seu lar?

A época natalina é um convite. Conheça mais a si, mais ao outro. Independentemente de religião, conheça mais a Cristo: um Homem que mudou o curso da história, inteligente, à frente de seu tempo, que veio falar de AMOR e ATITUDE.

Queridos leitores e amigos, fiquei um tempinho sem postar nada, afastada até da poesia, pois às vezes as circunstâncias tentam endurecer nosso coração. Retorno hoje com essas palavras sobre o natal, uma época mágica do ano que nos convida a tanta coisa boa, que vem nos falar de luz e esperança. Nós precisamos da nossa luz e da nossa esperança; aqueles que estão a nossa volta precisam; o mundo precisa. Mas não é só questão de “precisar”: vai além. Nós somos luz e podemos irradiá-la. Isso nos fará bem e se nos faz bem, fará bem a tudo e todos que estejam a nossa volta.

Neste fim de ano, mais do que as limpezas materiais necessárias, desejo uma limpeza de alma, desejo muita poesia, desejo muita luz em suas vidas, sonhos e esperanças renovadas porque o natal não é por acaso, porque Cristo não nasceu por acaso.

Natal é convite.

Elayne Amorim

Preciso falar de amor



Em meio a tanta confusão, tanta desavença, tanta opinião firme sem argumento... Eu só queria falar de amor. Às vezes não há espaço em mim para falar de amor num tempo em que a dimensão de seu significado é tão ampla e vazia. É difícil falar de amor talvez porque seja difícil amar, difícil (se) perdoar para dar espaço ao amor. Queria falar de amor sem tentar dar-lhes mais significados. Amor é amor. Falar de amor como a tarde que cai tão leve e plena. Como a incondicionalidade de um cão que tem um laço inexplicável com você. Como a liberdade do cavalo em não saber o que é afeição. Sabor de fruta do conde madura, amor. Aquela pessoa que salva sua rede (de futricas) social com uma palavra amiga, um boa noite de longe que chega perto, uma imagem bonita.
Eu preciso abrir espaço entre os meus pesadelos, eu quero forçar uma brecha para que entre um fio de luz. Eu não quero razão! Eu quero a totalidade de uma semente compondo um germinar de árvore onde abriga pássaros e namorados enamorados. Tem sido tão custoso amar e amar é um ato tão fácil, tão natural, que aproxima as pessoas e as deixa leves. É como ler um livro e sentir prazer com os olhos. É como imaginar uma história e criar um mundo paralelo que só você vê. É como cheirar um perfume bom, ou comer uma comida gostosa, ou beber um gole tão leve que lhe sacia a sede. Tudo isso é amor.
Por que está tão custoso amar? Por que as pessoas guerreiam tantas frases? Por que se (nos) apavoram? Por que tocam numas às outras com tanta rispidez de olhar, de sangue quente, de palavras que não vão mais se apagar? Eu não me importo em não saber o que seja o amor, eu quero amar. Eu quero falar de amor, mas deslizar pela suavidade e densidade de cada palavra. O essencial é invisível aos olhos e transcende as barreiras do tempo, da razão, do espaço, do corpo. Eu sempre soube disso e, às vezes, me perco em meio a tanta confusão confusa e sem sentido das discussões que se tornam barreiras aos meus olhos.
Mas o amor, seja lá o que for, é algo que cura. Ele entra por aquela brecha, até mesmo chaga ainda aberta e cura. O amor só pode ser oferecido, jamais devolvido, nunca diminuído. Amor é só uma palavra para algo tão grandioso e inexplicável e não me canso de falar dele, nele, porque ele é o primeiro sentimento. Trazemos de longe, apesar de toda ruindade, apesar, apesar, apesar. Ele é o que se contorce em nós quando vemos em alguém o essencial invisível. Ele é esse canto de cigarra embutido na tarde que escurece e dialoga com nosso espírito se deixarmos. Ele não é bandeira, ele não é filosofia, ele não é raciocínio; talvez mais próximo da poesia, sua linguagem, muitas vezes, só pode ser ouvida quando nossos ouvidos se abrem ao que sussurra e não ao que grita, esbraveja, esbofeteia, humilha, suja...
Às vezes é necessário fechar olhos e ouvidos, dar as costas mesmo para os espetáculos de pessoas que não prestam atenção no que falam, aos espetáculos grosseiros de seres humanos que atentam contra a vida, a dignidade, a liberdade de outro ser humano. Porque para lutar – inclusive para lutar por uma causa – não vejo possibilidade se não for por amor. Porque se ele é a asa da borboleta causando efeito; ele é também leão que, com um rugido, silencia a selva.
Elayne Amorim