Não tenho filosofia. Eu tenho poesia

Mostrando postagens com marcador Cavalos & Cavalgadas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cavalos & Cavalgadas. Mostrar todas as postagens

MAIS CAVALOS...!



Cavalos. Paixão.
Quem gosta de cavalo gosta de falar sobre cavalo. Gosta de olhar cavalos. Gosta de conhecer sobre cavalos.
Um dos animais mais belos da natureza. Existem muitas raças que se desenvolveram ao longo dos séculos nos mais diversos países. O número de cores é quase infinita, sem falar das pelagens exóticas. Nem podemos nos esquecer dos mestiços – os apelidados de “pangarés”.
Sua funcionalidade é das mais diversas. Se antes era imprescindível para o transporte do homem, hoje continua sendo imprescindível para sua vida. Não só para o trabalho, pois muitas pessoas ainda dependem deles para se sustentarem ou nas propriedades rurais. Mas, a funcionalidade do cavalo vai muito além disso…

Quem não conhece sua aptidão terapêutica – como na equoterapia – deveria conhecer.
No esporte, as funções como atletas são muitas – corrida, enduro, hipismo, provas diversas com tambores, balizas, laço…
Na área militar, a polícia montada, por exemplo.
Para o lazer, nem se fala. As cavalgadas, os passeios descompromissados em tardes de domingo, passeios noturnos.

O fato de simplesmente ver um cavalo galopar…












Nas próximas sequências sobre “cavalos”, trago algumas raças desses belos e altivos animais emolduradas – poesia para os olhos…

Não coloquei nem uma informação extra, apenas raça e imagem; brasileiras e estrangeiras. Quem sabe não desperte sua curiosidade para conhecê-las…









por Elayne Amorim

Sobre cavalos

Que "cavalos" está além de uma paixão não há dúvida. Nesta semana precedente ao finalzinho das férias, a inspiração tende de modo mais forte aos cavalos, aos galopes, às belas imagens que encontro em minhas viagens virtuais, que compartilho com vocês...



Quem quiser apreciar "Traduções Poéticas" também no Facebook, vai aí o link...
https://www.facebook.com/traducoespoeticas#



Abraços............
Elayne Amorim


Simples detalhes...


Que felicidade proporciona uma cavalgada. Estar com o cavalo, senti-lo, fazer parte dele; mais: voar com ele, sentir o vento batendo contra a pele do rosto, bagunçando o cabelo... inigualável! Não, não me canso de tentar traduzir as sensações maravilhosas que o contato com esse animal proporciona. É fonte de inspiração, de bem-estar; um deslocamento para outro mundo, aquele imaginário dos livros e dos filmes, onde somos protagonistas de uma liberdade só nossa. É fácil imaginar-se um desbravador sobre o lombo de um cavalo, é fácil adentrar a natureza, escutá-la, sentir-se parte dela, esse contato inexplicável nos transporta como que para outra dimensão.

Quase um ano sem falar sobre as cavalgadas e poucas mesmo fiz, porém, a paixão é chama que não apaga. No mês passado, fizemos um belo passeio para as bandas de Minas. Respiramos mato e belas paisagens; risos, encontros com amigos e aquele frio no estômago causado por uma emoção que é sempre nova ao montar e galopar.
O mês de abril é a época das cavalgadas em louvor a São Jorge. Há quem não goste e não lhe tiro a razão, pois infelizmente algumas pessoas escolhem esses eventos para exibir suas ignorâncias expondo os animais aos maus tratos. Sim, muito estranho esse hábito de maltratar aquele que o carrega, que o eleva e, literalmente, o leva para casa. Ainda assim me animo a participar, a olhar o outro lado da festa, aquela beleza exibida pelos mais variados cavalos e muares, pelas pessoas que tornam a procissão um espetáculo bonito e torcendo para que cada vez mais seja essa a maioria.
Lembro-me de mim ainda criança a olhar a procissão passar em minha rua... o meu coração saltava dentro do peito, queria estar lá! Um dia eu estaria lá no meio daquela cavalada! Já há alguns anos que acompanho a procissão a cavalo – são muitos, muitos cavalos – e eu lá, no meio deles, passando pelas ruas da cidade. Quando passo em frente à rua onde morava quando criança, viajo no tempo... tem alguém lá, pequeninha, protegida pelos braços do pai (ao qual não dava sossego neste dia) olhando-me do passado, imaginando-me em cima de um belo animal a desfilar equinamente pela rua... Como os pequenos e mais simples detalhes e sonhos tornam a nossa vida mais colorida e mais feliz...
por Elayne Amorim

Cavalo pragmático

Acho que alguns seres já nascem prontos. É, assim, prontos. E não precisariam da nossa intervenção.
Vejamos o Thor. Não, o Thor não é o meu cavalo, mas as almas nossas já se pertencem. Esse cavalo nascera pronto, sinto que dispensaria qualquer artifício ou artefato humano para a sua “domesticação”. Um espírito forte, daqueles que se parecem com os ventos. A teimosia, a persistência em querer ou não querer, o olhar firme, decidido; passos igualmente firmes e macios. Talvez sejam essas algumas das características da sua personalidade.

Lembro-me do Thor antes de ser o Thor. Ele era só um cavalo xucro, garanhão e seu porte médio parecia ser imenso diante da gana de liderança entre os outros animais, em sua maioria, já domados. Lembro-me do curral cheio de cavalos e éguas e de que ali não estava o que procurávamos. O dono do curral pediu que buscassem o bicho, e não tardou. Como um apaixonado romântico vê sua alma gêmea pela primeira vez (mesmo que ele mesmo não saiba ser aquela a sua alma procurada...) meus olhos acompanharam aquelas crinas esvoaçantes pelo pasto afora; sua chegada ao curral, gerando rebuliço entre os outros animais e o relinchado poderoso demais para um cavalo de porte médio. Ele definitivamente não possuía porte médio ali, naquele reino de cavalos confinados.
Depois de havermos ter certeza de que sim, era ele, era aquele o que procurávamos (na verdade, já estava vendido para um amigo nosso, mas o homem do curral vendeu-o para nós, nosso amigo ficou feliz pela “pequena confusão”), depois, ele veio para a hospedaria. E foi aí, bem aí, que a parte humana pecou. Thor é um cavalo extremamente inteligente, mas extremamente resoluto. Seu primeiro contato com o cabresto não foi um sucesso e fora vencido pelo cansaço. Ele entendeu que aquilo não o machucaria, mas passou a ter medo de pessoas. Ah, e sua vontade de brigar com os outros cavalos custou muitos consertos em baias e cochos.
Sua domesticação ficara entre a racional e a irracional, nunca fora maltratado, mas certamente dera alguns pulos nas primeiras montadas e bronqueou-se com o ser que insistia em montar-lhe no lombo sem se explicar. Depois? A marcha natural e a imponência nata. O cavalo nascera pronto. O cavalo aprendia tudo o que lhe ensinavam e driblar-lhe a teimosia arrancava boas gotas de suor do cavaleiro. Teimosia essa provinda de seu medo de pessoas e sua personalidade forte.
Daria um livro só de contar tudo o que passamos juntos e tudo o que nos contaram as pessoas que dele cuidaram na hospedaria. E depois que veio morar em nossa chácara, como a coça que ele deu em meu cavalo, que tem o dobre de tamanho dele. Quem sabe, para o futuro...
Thor foi um nome humano perfeito para esse animal que relincha com a sonoridade de um trovão. É bom de ouvi-lo pela madrugada silenciosa enquanto a Lua despende do céu ou pela tarde, enquanto conversa com alguém do pasto distante. Estremece o corpo de ouvidos distraídos.
Mesmo depois de castrado – devido a tantas confusões e ao que mais prometia – podemos ver Thor correndo pelo pasto com a cauda embandeirada e relinchando para os vizinhos – e vizinhas. Apesar de ter-se acalmado e muito, ainda se vê como líder e não deixa de namorar sempre que encontra uma oportunidade.
O cavalo é minha conexão direta com a natureza. Posso dizer o mesmo das plantas de meu jardim, entretanto, o cavalo, me leva mais além. Tocá-lo é trazer um pouco dele pra mim e passar um pouco de mim pra ele. Há muito de inexplicável entre as sensações que trocamos, entre as experiências que vivenciamos juntos. Ele me desafia e me encoraja; ele briga comigo e, noutras vezes, deixa que eu brigue com ele.
A cada novo passeio, a sensação renovada, a troca de energias, nunca é igual. E, por vezes, triste, magoada com alguma coisa, o encilho e ele já sabe do pesar de minhas mãos e meus monossílabos tônicos. Saímos juntos e sós e desbravamos o mundo à nossa maneira. Esqueço do mundo humano com seus paradoxos. Voltamos para casa in-satisfeitos. Felizes, pelo conforto do descanso, a relva verde, um passeio tranquilo; tristes, por termos de domar nossas almas livres em terreno civilizado, humanamente civilizado. Ele me compreende e eu o compreendo. E nos respeitamos.
O Thor é um cavalo pragmático.
por Elayne Amorim

Aquilo que sou

Hoje, um poema equino. Quem me conhece, sabe que amo cavalos. Mesmo quem não me conhece, acho que percebe... Estive angustiada demais há um bom tempo porque não estava podendo cavalgar por algumas razões; porém, hoje, providencialmente - porque não há outra palavra - pude voar de novo. Sim, porque cavalgar, galopar, é voar. É poder sentir a liberdade plena e inexplicável, é sentir a poesia, é sentir-se outro e você mesmo. A integração homem-animal é inexplicável, tento, infimamente, traduzir um pouco... Montar um cavalo - de verdade - é ser ele, é ele ser você, é ser um só. Quem sabe algum dia as pessoas descubram essa realidade...
Paixão... uma eterna paixão...
Meus eus líricos estão em festa, porque, embora, todos sejam completamente diferentes, todos são livres para (in)existirem e são livres como os cavalos galopando...


Hoje eu senti mais uma vez
A emoção da primeira vez
O vento batendo contra o rosto
E meu corpo imenso correndo
Minha alma plena na liberdade plena
Na liberdade plena...

Fechei os olhos...
Abri os braços...
O medo transformado
A dor funda no estômago
A velocidade...
A
Velocidade a velocidade a
Velocidade velocidade velocidade

...eu voava...
Eu era eu que era a velocidade que era a crina ao vento
Eu era o vento eu era o próprio vento nenhum pensamento
Nada mais do que pulmões e plainar no ar com corpo imenso

Eu... voava... não... era... mais...
O que nunca fui
Eu era o que apenas era e sou
Voar... plainar...

Ninguém nunca entendeu-entenderá
Que o meu sofrimento provém de quando não me sou

Se não me sou, nada mais resta, nada me basta
Porque cada parte de mim é uma só e cada
Parte dessa não pode ser aprisionada

Eu nasci para ser...
             Eu nasci para correr...
                          Eu nasci para voar...

Hoje eu voei mais uma vez
Como na primeira vez
Meu coração sentia a paixão da primeira
Do primeiro
Meu coração ama as alturas
E me leva aos abismos em rasantes
Quando acho que vou cair ele me eleva

um cavalo selvagem vive a correr por dentro de mim

Ninguém
Nunca
Nem
Me importa
Entendeu ou
Entenderá:
Se não me sou, nada, nada, nada me basta.

 eu sou esse próprio cavalo selvagem a correr... a voar...


por Elayne Amorim