Não tenho filosofia. Eu tenho poesia

Retorno... velhas e novas angústias

Para o retorno, queria postar um texto mais... alto astral, motivador. Porém, não posso. Não seria real. Primeiro dia hoje e, infelizmente, com muitas novidades ruins. Turmas sendo fechadas, professores “sobrando”, tendo que completar sua carga horária em nem se sabe onde (eles é que têm que correr atrás...); aulas que se tornaram optativas e simplesmente estão gerando transtornos absurdos aos professores das áreas; outras que diminuíram a carga horária, como Sociologia, por exemplo; um quadro de horário que não se consegue definir, sistema que “não aceita isso, não aceita aquilo”, um sistema que não funciona direito!
Chega.
Dos males o menor, consegui ficar com todas as aulas no mesmo colégio, embora em dois turnos agora (antes era só à tarde e só no Ensino Médio). Mas vejo colegas com sérios problemas de alocação e não há como não se angustiar (ou será que dá, já que se está tudo bem, ou quase tudo bem, pra mim os outros que se danem?)
E muitas perguntas... O problema da falta de professor deve ser resolvido assim? Com diminuição de aulas e de turmas (superlotando salas ao se juntar turmas)? Como começar um ano letivo bem diante de uma situação tão caótica e tão desmotivadora? Como não se mobilizar, se envolver, questionar?
Eu sei exatamente porque estou lá e o que devo fazer, mas será que quem planeja, programa, “organiza”, impõe sabe bem o que está fazendo? Qual o objetivo disso tudo, o objetivo real disso tudo?
Mudanças são necessárias, mas devem ser aos poucos para que não se percam os objetivos, nem prejudiquem e desvalorizem os profissionais.
Lembro-me de quando duas aulas de português foram retiradas do segundo e terceiro anos do Ensino Médio. Reclamei, falei, questionei – eu e mais alguns professores – porém, sinto como se fôssemos vozes sem voz, quem precisava nos ouvir não ouviu (será que já estão nos arrancando a voz e estamos, de fato, ficando sem voz?). Ficamos com o mesmo conteúdo por um número bem menor de aulas. Agora, com outras disciplinas acontece o mesmo e isso sem mencionar (novamente) todos aqueles problemas e outros que nem mencionei nem mencionarei aqui.
Sim, são muitos. E muitos prejudicados – professores e, consequentemente, alunos. Turmas mais cheias, menos aulas, início de ano letivo tenso e angustiado, sistema que.... afff! Não quero NEM ouvir as palavras EDUCAÇÃO e QUALIDADE juntas na boca de quem quer que seja, em propaganda de televisão, em discurso político... Não há qualidade. Não há como ter qualidade. Não dessa forma.
Em meio a tudo isso me lembro de uma palavra muito falada ano passado... bônus. Um bônus para aqueles que cumprirem tudo direitinho. Certo. Mas não é por causa de um bônus que deixarei de questionar, analisar, apoiar meus colegas de trabalho (apesar de o mesmo problema não ter acontecido comigo).
Sejamos bem-vindos a mais um ano letivo!
por Elayne Amorim
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