Não tenho filosofia. Eu tenho poesia

O que sei de mim

Há dias assim, em que devemos ser tempestades. Afrontar o que nos afronta, lutar contra, fazer acontecer.
Sou um furacão
Um estado de espírito explosivo
Num duelo de vidas em mim
Eu também sou brisa

Machuco-me fácil
Um estado de alma pacífica
Vidas dentro de uma só vida
Eu também sou o que desconheço

Todo o lirismo que há em mim
Brota das minhas inquietudes
Eu queria poder dizer não te assustes
Mas estaria mentindo aos teus ouvidos

Sou duas, sou mais, o que queres
E o que não queres, eu sou
E para me entender é melhor desistir
De querer, liberta-te do medo, passa a sentir

Sou duas, sou mais, a mesma em uma
Podes me reconhecer nestas mil faces
Desabo mas me reergo, chovo e faço sol
Não organizo palavras, mas destoo-as

Não sou poeta de brevidades nem máscaras
Canto as tolices toscas, a fina dor, o que há por trás
Do avesso, faço recomeços, quero o que fere
O que eu quero talvez não mereço, mas o que será que me merece?

Pra ter minha alma deve atingir minha poesia
Desestruturar completamente minha vida
Gosto de procurar belezas nos destroços
Só quando tenho a pele esfolada é que sinto profundamente

A pele da minha alma impura, puramente maculada
Por desejos tortos, por sonhos impossíveis
Não esqueço nada, mas sou capaz de prosseguir
Minha tempestade é maior que os terremotos advindos

Minha tempestade é maior, é sempre maior
Um sopro de brisa ao rosto quente
Minha tempestade provém das eras selvagens
Com a mudança de uma vírgula posso explodir planetas
por Elayne Amorim
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