Não tenho filosofia. Eu tenho poesia

Noites insanas - a calmaria


“Noites insanas” nasceu naturalmente. Como um verso que brota instantâneo de não se sabe onde e você escreve meio sem querer. Nasceu de eus líricos inquietos, de dores e alegrias, de sentimentos humanos que não recebem nomes certos, mas que sabemos que existem. É noite, porque é silêncio escuro que se tenta traduzir sob a luz aguada da lua. Porque trazemos noites dentro de nós que recobrem as emoções mais profundas. É insana porque a profundidade dessas emoções sem nome vai além, muito além da razão. Ela se sobrepõe às nossas vontades e expectativas e há aqueles momentos de loucura que temos medo – ou vergonha – de revelar. Segredos guardados dentro de noites, ocultados por uma aparente lucidez que tentamos manter.
A noite insana é aquela coisa medonha e linda que carregamos em nosso íntimo, que assusta mas seduz, incompreendida mas que precisa ser revelada, como um grito – seja de horror ou de prazer – um grito estampado em palavras que vão materializando a insanidade e a noite. A vida, com todos os seus dilemas, com todos seus sentimentos, com todas as tempestades, massacrando máscaras, maquiagens, arrancando roupas, esfolando a pele da alma – aquela pele que temos medo de mostrar.
São noites em claro, madrugadas a fundo, versos em prosas sonolentas, liberdade de exprimir-se, necessidade de explosão.
Delicie-se com mais um eu lírico mergulhado na insanidade noturna atemporal alheio à lógica do mundo...
Não é por causa das tempestades, é exatamente o contrário. É nesses momentos de calmaria que entro em desespero. Minha mente trabalha mais, avalia, volta no tempo, retorna ao futuro, bagunça meu momento presente.
(Elayne Amorim)
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