Não tenho filosofia. Eu tenho poesia

Aquilo que sou

Hoje, um poema equino. Quem me conhece, sabe que amo cavalos. Mesmo quem não me conhece, acho que percebe... Estive angustiada demais há um bom tempo porque não estava podendo cavalgar por algumas razões; porém, hoje, providencialmente - porque não há outra palavra - pude voar de novo. Sim, porque cavalgar, galopar, é voar. É poder sentir a liberdade plena e inexplicável, é sentir a poesia, é sentir-se outro e você mesmo. A integração homem-animal é inexplicável, tento, infimamente, traduzir um pouco... Montar um cavalo - de verdade - é ser ele, é ele ser você, é ser um só. Quem sabe algum dia as pessoas descubram essa realidade...
Paixão... uma eterna paixão...
Meus eus líricos estão em festa, porque, embora, todos sejam completamente diferentes, todos são livres para (in)existirem e são livres como os cavalos galopando...


Hoje eu senti mais uma vez
A emoção da primeira vez
O vento batendo contra o rosto
E meu corpo imenso correndo
Minha alma plena na liberdade plena
Na liberdade plena...

Fechei os olhos...
Abri os braços...
O medo transformado
A dor funda no estômago
A velocidade...
A
Velocidade a velocidade a
Velocidade velocidade velocidade

...eu voava...
Eu era eu que era a velocidade que era a crina ao vento
Eu era o vento eu era o próprio vento nenhum pensamento
Nada mais do que pulmões e plainar no ar com corpo imenso

Eu... voava... não... era... mais...
O que nunca fui
Eu era o que apenas era e sou
Voar... plainar...

Ninguém nunca entendeu-entenderá
Que o meu sofrimento provém de quando não me sou

Se não me sou, nada mais resta, nada me basta
Porque cada parte de mim é uma só e cada
Parte dessa não pode ser aprisionada

Eu nasci para ser...
             Eu nasci para correr...
                          Eu nasci para voar...

Hoje eu voei mais uma vez
Como na primeira vez
Meu coração sentia a paixão da primeira
Do primeiro
Meu coração ama as alturas
E me leva aos abismos em rasantes
Quando acho que vou cair ele me eleva

um cavalo selvagem vive a correr por dentro de mim

Ninguém
Nunca
Nem
Me importa
Entendeu ou
Entenderá:
Se não me sou, nada, nada, nada me basta.

 eu sou esse próprio cavalo selvagem a correr... a voar...


por Elayne Amorim
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