Não tenho filosofia. Eu tenho poesia

Como os ultrarromânticos


Perdoe-me o romantismo exacerbado, como se fosse eu a morrer de amor por um amor que nunca vivi. Mas não consigo ser de outra forma que não esta extrema, se for pra sentir que seja com o coração insanamente com a mente abrasadoramente, que seja com a pele e com os músculos e com o sangue a correr e que seja com lágrimas a escorrer derretendo o sentimento; que seja até morrer e morrer muitas vezes até desgastar a vida de artifícios superficiais até restar apenas a essência de um amor profundo, aquele sem nome, a soprar nos ouvidos versos incontidos de um século que já passou.
Vejo tantos e tantos jovens morrerem por tanta coisa e tanta coisa fútil, quase não os tenho visto morrendo de amor... Que desperdício. O amor foi feito pra ser sentido e amor bom é aquele que nos deixa de cama, aquele que mexe e nos faz levantar e querer correr e depois gritar, amor bom é aquele que nos assusta, que nos atrai, que nos traga, que nos consome, que nos faz sentir paradoxos pulsarem dentro de nós, nos confunde e nos domina.

Amor bom mesmo é aquele que dá medo de se aproximar. É aquele que a gente sente sozinho, em casa, antes de adormecer e fica-se a imaginar... a imaginar... até sonhar... até sentir seu próprio corpo delirar... Amor bom é amor realizável, realizado, real, idealizado na vontade prévia, na perfeição insana de nossas mentes, criado a dores e sofrimentos desconsideráveis e mortais dúvidas. Tocar o impossível com a ponta dos dedos...
Quem não quer tocar o intocável, o outro ser humano de carne e osso e sentir seu corpo todo trepidar de prazer, com apenas um toque... um-toque... na oblíqua imagem impossível que se delineou à sua frente.
Saibamos amar como os românticos, esses estão em extinção, como nossas florestas, como nossos lobos, como nossas luas azuis; esses loucos errantes ainda existem... Se não for pra sentir não vale a pena viver, se não for pra morrer de amor não vale a pena... a vida.
Sim, eu acredito no amor.
(Elayne Amorim)
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