Não tenho filosofia. Eu tenho poesia

Compreende meu silêncio?



Certa vez disse-lhe que se me faltassem palavras
Dar-lhe-ia meu silêncio.

Um silêncio de sombras e violinos ao vento
Um silêncio de lágrimas que reluzem ao sol
Parecendo orvalho trêmulo nas folhas verdes

Um silêncio gritante que de tão mudo transpassa a alma
Estilhaça a consciência abandonada no mais fundo de si.

Escute o meu silêncio
Ele é suave como um coro de flautas e violinos plangentes
Como um choro contido que alguém se esqueceu de fluir

Meu silêncio é sombrio, mas inofensivo
Não sugarei seu sangue para transformá-lo só pra mim
A minha sombra pertence às árvores, as asas das aves
Aos violinos e às flautas e ao sopro suave do vento leve

Passa timidamente. Vai. E volta. E você só percebe
Se estiver atento à distração dos seus pensamentos.














Meu silêncio é um pedido de desculpa, um agradecimento.
Meu silêncio é coisa viva, pulsante, como pulsam as notas suaves
Pedem licença para entrar, pedem licença para chorar

Meu silêncio pode ser ouvido no barulho da natureza
Em cada canto tímido da ave, em cada relinchar no alto de um pasto
Em cada suspiro de um bicho que olha pro horizonte ao anoitecer

Meu silêncio é murmúrio lento das águas, o grito da seriema
O uivo lento do lobo perdido na mata escura
O meu silêncio não é a falta de palavras
Mas é a linguagem universal dos seres que sofrem, e choram

E para sentimentos assim, como os meus, traídos,
Não são necessárias palavras, creio que o excesso delas
É que provocou esse grande silêncio em mim

Um silêncio tão profundo e sincero e capaz de se fazer compreendido
Por todas as criaturas vivas do universo. Será por você?
 Elayne Amorim
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