Não tenho filosofia. Eu tenho poesia

Ó, MINHA SENHORA PRINCESA...

Era uma vez uma Princesa.
Linda em sua naturalidade
Formosa em suas curvas altas
Imponente, cobiçada, próspera.

Muitos se lembram dessa Princesa
Com saudades de um tempo em que
Eu não a conheci.
Eu simplesmente amei a Princesa por amar
Na totalidade de sua bela natureza.

A Princesa, como eu, crescera.
A Princesa, como eu, sofrera.
Mas entre mim e ela, algo permaneceu
Jamais consegui abandoná-la à sua própria sorte.

Porém, com forças ínfimas,
Como a de um voto,
Vejo minha amada Princesa envelhecer
Em plena juventude sem nada poder fazer.

Queimam sua natural beleza, eu sei,
Há pessoas que não podem suportar
O poder de uma rara beleza.

Vejo minha Princesa sendo disputada como coisa
Enquanto que seus súditos
Perdidos, revoltados, xingam-na,
Sujam-na, iludem-na e a levam a nada.

Vejo minha Princesa sendo disputada
Não por sua beleza, mas pela riqueza
Que lhe querem tirar.

Ah, minha amada Princesa, peço-lhe perdão
Por um amor tão vil como poderia ser o meu
Covarde o suficiente para não defendê-la
Infantil o bastante para lhe compor versos

Intensamente sofridos para lhe expor
A palavras tão amargas...
Vejo tuas ruas, teus rios, tuas aldeias
Como podem lhe tratar assim, Princesa?

Não há silhueta como a tua...
Não tenho pena de ti, tenho vergonha de mim
Por saber de um amor de um amante distante
Como aquele trovador que exaltava sua senhora

E nada mais podia fazer por ela
A não ser cantá-la em versos tristemente apaixonados
Perdão minha Princesa pela minha covardia
Queria gritar cuidem, cuidem da minha Princesa

Não a deixem morrer no descaso
Sob olhos omissos, sob mãos que a maltratam
Cuidem da minha Princesa, ela completa mais um aniversário
E o único presente que posso lhe dar são esses versos de apelo

Cuidem! Cuidem! Cuidem...
Devolvam à Princesa o seu Reino Triunfal roubado
Devolvam à Princesa o seu brilho verdejante
A alegria às tuas ruas, às tuas casas, a ti, formosa Princesa da Serra...!

Versos ínfimos de uma poetiza que ama sua cidade natal. Que a vê dessa forma linda, como ela é mesmo. Com olhos cansados de vê-la queimada, negra, suja. Com olhos tristes de quem percebe que há muito a ser feito e tão pouco se faz. Com os mesmos olhos que enxergam a cor da beleza mas também a descoloração da esperança. Tantos, tantos problemas - como qualquer outra cidade, sim! - mas tantos problemas que podem e devem ser resolvidos, afinal, não adianta só ver, só reclamar e nada fazer. É, enxergo os detalhes, os bons, os ruins. A Princesa perde a realeza e se perde a culpa é de todos nós, todos nós, porque se há uma coisa que não admito ouvir e nunca tomo como verdade é o "não tem mais jeito". Não tem mais jeito? Então o que estamos fazendo aqui? De braços cruzados vendo a cidade envelhecer sem grandes esperanças, sem conquistas, perdendo sua cultura, sua identidade, sua beleza? Cada um é responsável, quem bota fogo, quem joga lixo na rua, quem destrói, quem vê e não fala, quem fala e não age, quem elege e não cobra, cada um de nós, através dos detalhes, podemos mudar sim, para melhor, a Princesa, o estado, o país... É muito fácil eleger uma frase feita e tomá-la como verdade, é muito cômodo. "Não tem mais jeito", é a sua verdade?
PARABÉNS, VALENÇA, FLORESÇA COM A PRIMAVERA QUE ACABA DE CHEGAR!!!
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