Não tenho filosofia. Eu tenho poesia

Sobre paralelos uníssonos



Não me esqueci de ti. Nenhum momento. Eu não me esqueci. Sem mas, nem menos, nem todavia. Apenas deixei que te fosses. Que partistes. Julgo-me. Porém, apenas eu posso me julgar. Como apenas tu podes te julgar. Éramos duas faces de uma moeda diferente. Patamares insondáveis de universos paralelos, universos que resolveram se tocar erroneamente, sabiamente. Então, deixei que fosses. Então, deixastes que fosse. E partimos, um do outro, a seguir com nossos paralelos. O único mas é que mas não te esqueci. Mas não te esquecerei. Porque eras, és, parte de mim. Receio até que seja eu. És me. Quando olho para o espelho nem preciso procurar por minha escuridão; ah! sombras que me guardam de mim! Sou eu mesma. Sou eu mesmo. Sois. És. Somos. E partimos, no entanto. Oh! xingamentos sedutores! Amei-te tanto quanto pude te odiar! E odiei ao máximo do absurdo do amor. Sim, sou eu mesmo. Em ti. És a mim, em mim. Partes inteiras de metades. Completos demais, amantes demais, loucos demais, demais, demais, demais, tudo em ti – em mim é demais. Rápido demais. Sofrido demais. Louco demais. Avesso demais. Pensei morrer de tédio, ou de amor, ou de ódio. Porém, tudo o que consegui foram pesadelos. E até mesmo eles partiram. Ficaram as lembranças. As minhas lembranças. De mim mesma despedindo-se de mim, que partia, naquele dia, que era noite, e sumia no meio de uma multidão desconhecida, eu apenas me via partindo. Ainda estiquei meu braço, minha mão, alonguei meus dedos... os dedos... o olhar se estendia... o pensamento não compreendia... era o fim, eu sabia... de alguma forma que compreendia... sem compreender... tu desaparecias... eu desaparecia... de nossas vistas...
Paralelos.
Conheces Física?
E pensáramos subverter a Física.
Se eu conheço Física?
Conheci uma vez.
Paralelos.
Lado a lado. Intocáveis. Porém, acho que há teorias... dimensões... em algum lugar, no tempo, onde começam as estrelas... acho que os paralelos se tocam.
por Elayne Amorim
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