Não tenho filosofia. Eu tenho poesia

Dia dos namorados

 O blog, às vezes, adormece na realidade dos corridos dias em que passo a trabalhar muito. Porém, não deixaria passar em branco a data dos namorados. Sem essa bobeira de parecer clichê, piegas ou coisa assim, como a modernidade gosta de tratar dos sentimentos. Acontece que namorar é bom, que procurar-se no outro é uma forma de encontrar a si mesmo e falar de amor é falar de algo muito humano. Há solitários que assim vivem e vivem muito bem porque é desse modo que encontraram a felicidade e sabemos que não há uma só forma de amor. Mas também há aqueles que procuram o amor verdadeiro, há aqueles que procuram... Que essa data seja uma forma de pensarmos em sentimento, em coisas boas da vida. Por vezes vemos nossos cacos no chão por causa de alguém, de um sentimento despedaçado; entretanto, desacreditar do amor é desacreditar na própria capacidade de amar, pois também nós não somos perfeitos. Enfim, o fato é que queremos muito para nós, e namorar é estar na companhia do outro, é rir, zoar, falar bobagens ou ouvir o silêncio dos olhares, dar as mãos, caminhar... Só sei que namorar é bom. E é pra ser bom.

Dia dos namorados. Tão clichê. Tão dia de pensar num presente. Tão material.
Ouço sozinhos lamentando a solidão; ouço casais brigando, pela solidão procurando. Desencontros: o mundo está cheio deles.
Data comercial, é  o que dizem por aí. Mas que data - seja ela santa ou não - não transformamos em comércio?
Bonito mesmo é ver o casal de velhinhos de mãos dadas sorrindo. Um casal de adolescentes por que passo todos os dias em que vou dar aula cedo. São pontuais: 6:30 da manhã, estão sempre lá.
É romântico. Não precisa de presente nem nada. Um dia, no meio do ano, parar no meio da rotina corrida e almoçar juntos, brindar com vinho. Ou suco.
Eu já passei dia dos namorados na maior fossa; sim, natural. natural quando um relacionamento acaba. Aí vem outros dias, outras datas e aí vem outras mãos, outros beijos, outras cores.
Menos expectativa.
Ter companhia é bom. Ter alguém, sabendo que não é seu e que você não pertence a ninguém. Estar ali por escolha. Porque o vazio dói, a ausência é uma pergunta retórica - às vezes confortável - mas sempre pergunta retórica. Estar ali porque se quer estar.
Ganhar uma rosa vermelha.
Provar do olhar sincero.
Saber que só o instante é eterno.
Desejar, Ser desejado.
Amar. Ser amado.
Com toda a loucura que cabe somente aos amantes. Aos românticos.
por Elayne Amorim
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