Não tenho filosofia. Eu tenho poesia

APARÊNCIA II




Quem me vê não sabe
Que desabo todos os dias
E encontro pelos destroços
Pedaços de versos, palavras quebradas
Ferindo meus sentimentos jamais cicatrizados
Palavras que disseste em promessas
Palavras que disseste em versos
Palavras que disseste antes
Palavras e mais palavras
Atingiste minha realidade mais pura e real
As palavras não devem ser proferidas
Jamais versificadas

Meu fogo me devora derretendo cada íntimo
Fervendo cada entranha minha em desejo
Como se eu me devorasse por dentro
Pela fúria de tua ausência

Tenho minha boca em gélido movimento
cada
gota
de
mim
num mínimo de célula inflama quando penso
como eu queria não pensar mas quanto mais
nego mais quero e esfrego minha superfície
em outras peles, em outras células, mas o
teu resquício ficou e jamais saiu, teu gosto
tua cor, teu dna em contato com o mais profundo
de mim, o teu horror de mim, o teu desejo,
a tua culpa, a tua procura e a tua fuga
jamais perdoarei, jamais me perdoarei
porque deixei
que fugiste…

Eu quero a tua língua a me percorrer
Teu stress para eu acalmar, acariciar
Cada parte tua como se houvesse escolha
Não há escolha, hermeticamente fechado
Esse sentimento não cabe em mim
Parei de te perseguir, mas quanto mais
Rasgava tuas palavras mais elas me feriam
Tenho a pele esfolada de tanto te negar
De tanto insistir, escuta  meu cansaço
O problema não é morrer um pouco todos os dias
O pior é viver uma vida de ausências
O pior é conviver com tua ausência

O pior é sentir meu fogo me devorando em teu silêncio.

por Elayne Amorim
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