Não tenho filosofia. Eu tenho poesia

Não sei se tenho loucura...





Não sei se tenho loucura ou se sou louca.
Discordo de muitas teorias, de muitas frases, de muitas posturas.
Eu discordo de mim também, muitas vezes.
E, inumeráveis vezes, eu me apaixono. Talvez seja a paixão esse fio que me prenda à vida. Perdi – há muito – o medo de me apaixonar.
Embrenho-me com tanta facilidade por entre os ventos, os sons e as cores que me dissolvo facilmente.
Eu quero tudo.
Eu quero ser tudo.
Eu quero sentir tudo.
Não quero me entorpecer jamais.
Eu não quero falar o que não estou sentindo; não quero esconder o que estou sentindo.
Eu não quero ser mais um lugar comum.
Afogo-me nas palavras, nas lágrimas, nos gritos e nos silêncios, mas não morrerei de fingimentos.
Insisto até no que parece ter perdido o sentido.
Eu quero tudo.
Quero ser tudo porque posso ser tudo.
Porque o que não faz sentido é belo.
Eu não quero apenas estar no galope: quero ser o cavalo. Não quero apenas adentrar a noite: quero ser o lobo que uiva. Não quero apenas sentir o voo: quero ter asas.
Eu quero me lembrar das vidas passadas e das vidas futuras: mas a intensidade só existe agora.
E agora existem as escolhas – mesmo que atravessadas, erradas, mesmo que eu sofra ou me xingue depois ou antes; mesmo que eu chore ou vibre; é agora que existe o momento.
É agora que sou.
É agora que estou apaixonada – e não, não me esqueço de nenhuma paixão e as sinto todas.
Desapaixonar é mais triste que não se apaixonar. Que se entorpecer.
Eu quero me drogar lucidamente dessa coisa toda chamada VIDA o tempo todo.
E fazer coisas que não fazem sentido, quero porque posso.
Isso tudo sou eu: muitas almas para preencher meu espaço.
E se amoleço, se esmoreço, se sinto que me entorpeço eu me desespero!
Porque sou feita de vidas e almas e vontades e céus e infernos e descobertas novas e velhas!
Eu sou uma melodia atravessando o universo. Não me preocupo com ponto de chegada ou de partida: a vida é travessia.
É na travessia do rio que se conhecem as margens, as ondas, as casas, as cenas, os bichos, a mudança de posição das estrelas.
A vida é travessia e trago o que tenho no que sou: loucura demais para tempos tão amenos. Porque não falo da crise de fora: mas de dentro. A crise de fora talvez seja mero reflexo do que se agita dentro.

Elayne Amorim
Postar um comentário