Não tenho filosofia. Eu tenho poesia

DESDE sempre


Não busco a Forma Perfeita.
Há tempos não faço boas rimas...
A forma que busco não tem forma.
Ela habita a alma, do tamanho de um mundo
Às vezes ela não cabe em mim
Às vezes ela é eu
Às vezes... ela é um silêncio plantado na alma.
Uma pergunta que ninguém respondeu.

Ando calada.
E isso me incomoda
Pois não falar para o poeta é como não viver.
A realidade se torna estranha e objetiva demais
Há tristezas habitando os sonhos
Há tristezas demais no mundo
Às vezes quase que só vejo tristeza...
Ou seria a falta de alegria...

O que busco o mundo não pode me dar.
O que busco já mora em mim desde sempre
E talvez minha tristeza seja descobrir novamente
Que nossas realidades vão se chocar
Desde sempre...

E quando me roubam a poesia
É porque me deixei roubar a alegria
Não perco as esperanças
Eu não quero perder as esperanças
Eu não quero dar ouvidos ao cotidiano
O que sou é o que trago em mim de melhor
Moldo-me com as estações do ano
Moldo-me ao modo de como meu coração ama
E amar é mais sublime e mais necessário

Moldo-me a cada palavra antiga num contexto novo
Todo dia eu não sou mais a mesma
Trago mais lembranças, mais esperanças
Mais formas novas de amar nem que seja o mesmo
Eu sou o futuro da minha infância
Em quando eu sonhava em ser grande
Sou um pedaço do meu sonho
Sou um pedaço do meu amanhã
Sou o que faço dos meus sonhos e das minhas palavras
Não o que os outros dizem de mim
Não o que os outros esperam de mim

A escuridão que trago nada tem a ver com trevas
Minha escuridão é minha forma de enxergar num mundo cheio de luz
Luz que ofusca a visão
Minha escuridão ecoa por onde nada mais parece se ver
Porque a treva é não mais sonhar
É não mais acreditar numa nova realidade
Sendo que todas as realidades são possíveis
Só existem a partir de uma escolha
Minha escolha é insana... ela é da forma da minha alma
Desde sempre...
por Elayne Amorim
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