Não tenho filosofia. Eu tenho poesia

Um novo retorno.........


Eu não poderia deixar o último texto como o único para o início do ano letivo. Quem me conhece sabe do quanto gosto e o quanto abraço minha profissão e é exatamente por isso que “divido” com os leitores as angústias minhas e alheias. Calar-me? Não diante do que deve melhorar, mudar.
Tenho esperança de que seja mais que mera informação... não é para simplesmente ser uma informação, tudo o que apontei anteriormente (e que acontece mesmo) e nos angustia é uma forma de tentar tocar as pessoas – leitores, professores, alunos... a sociedade não pode dormir o sono da ilusão e do conformismo. Acordar palavras para que acordem pessoas... talvez seja essa uma das missões do poeta e do professor.
Meu terreno é a palavra, a poesia corre nas minhas veias juntamente com esse anseio de ensinar. Tenho certeza de que assim também é nas veias de muitos outros – poetas, professores; loucos acordadores de palavras, acordadores de pessoas, não importa a disciplina que lecionam.
Não há como eu saber (ainda) – espero hoje ter acordado palavras, quem sabe, no coração e na razão de alguns... Que isso se multiplique em cada sala de aula deste país.
Sejamos bem-vindos ao novo ano letivo, como sempre, desafiador porém, fascinante.
Termino com um poema que lemos hoje, mexeu com alguns alunos, talvez mexa com você...

A vida, acredita, não é um sonho
Tão negro quanto os sábios dizem ser.
Frequentemente uma manhã cinzenta
Prenuncia uma tarde agradável e soalhenta.

Às vezes há nuvens sombrias
Mas é apenas em certos dias;
Se a chuvada faz as rosas florir
Ó porquê lamentar e não sorrir?

Rapidamente, alegremente
As soalhentas horas da vida vão passando
Agradecidamente, animadamente
Goza-as enquanto vão voando.

E quando por vezes a Morte aparece
E consigo o que de Melhor temos desaparece?
E quando a dor se aprofunda
E a esperança vencida se afunda?

Oh, mesmo então a esperança há-de renascer,
Inconquistável, sem nunca morrer.
Alegre com a sua asa dourada
Suficientemente forte para nos fazer sentir bem

Corajosamente, sem medo de nada
Enfrenta o dia do julgamento que vem.
Porque gloriosamente, vitoriosamente
Pode a coragem o desespero vencer.

(Emile Brontë, 1818-48, escritora inglesa, Life)
por Rlayne Amorim
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