Não tenho filosofia. Eu tenho poesia

Um solo de uma nota só


Acordo para mais um dia de rock
Porque não importa a calmaria em meu olhar...
Dentro de mim enxurradas de lembranças!
Porque não importa a calmaria em meu semblante...
Dentro de mim despencam arrasadores
Sentimentos! Sentimentos! Não adianta
Eles despencam, batem, soam fino em minh’alma
E batem e ecoam e arranham, energizando...
Energizando, massacrando,
Batem em doses de dor e agonia
Caem, quebram, deixam em cacos o que sou
Arranham...

Não acreditem em meu rosto ameno
Máscara!
Não acreditem em minha voz mansa
Falácia!
Não acreditem na minha normalidade
Disfarce!
Não acreditem que sou isso que veem
Engano!

Sou exatamente o que não escutam, o que
Não percebem que eu sou
Recruto as noites todos os dias
Escondo-me sob os raios do sol
Tentando-me aquecer na vã de esperança
De não morrer de frio dentro da minha noite
Vazia.
Noites sem fogueiras acesas
Noites sem fogueiras acesas
Ouço uivos na escuridão...
Uma nota aguda da guitarra
Arranhando... uivando...
Um solo de uma nota só
Noites sem fogueiras acesas...

Eu prefiro assim, que não reparem em mim
Deixem-me estar na paz artificial da rotina
Que dentro de mim entendo-me com meus monstros
Impossível tapar os ouvidos – os meus ouvidos
Aos ecos e lamentos dos solos uivados das guitarras
Que insistem em arranhar minh’alma com as lembranças passadas
Sempre presentes
A me acusarem... a me recusarem... a me machucarem...
Noites sem fogueiras acesas...
Uma nota uivada ecoa pela minh’alma estilhaçada...
por Elayne Amorim
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