Não tenho filosofia. Eu tenho poesia

Da forma de minha alma


Sou amante do verso livre
dos versos que se espalham sem fim
pensam os tolos que eles são fáceis de serem concebidos
Engano.

Os versos livres refletem
            aquilo que está na alma à deriva
aguardando uma tradução para que possa fazer parar
de doer.

O verso livre é a expressão inculta da alma.
Dói.
            Arranha.
                                   Desenha
a alma
sem forma.

Como então dar forma ao que não possui?

O meu verso é livre enquanto sou refém
do meu verso.

O meu verso livre é livre e ninguém pode contê-lo
Conter-me não pode ninguém em meu livre verso
Sou o reverso, o fim pelo começo da entrelinha
Subversão de conceitos, que sejam subversos
De mundos submersos que residem em mim.
Minha alma não tem nada de linear, ela galopa
Ela galopa... ela galopa... ela se transforma...
Ela desforma...
                        A ponta de suas asas tocam o
Horizonte...
                        Suas patas tocam o profundo
Do abismo...
                        Sua infinidade cabe numa gota
De oceano...
                        Livre...
Livre...
            Livre...
Meus versos são como as notas da partitura
            que se prolongam
em graves
                        e agudas
no ritmo de voo ao vento floresta adentro desbravando pensamento a sentir a impossibilidade da fantasia na ilimitude plena de ser o que se é fantasma de mim mesma a assombrar-me liberdades...
Meus versos são assim...
            Indefiníveis...
                        Indecifráveis...
                                   Galopantes...
                        Inefáveis...
            Intraduzíveis...
Saem livres de dentro de mim...
por Elayne Amorim
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