Não tenho filosofia. Eu tenho poesia

Férias... de palavras?



Não ando de mal com as palavras. Às vezes é bom ficar só olhando, sair de mãos dadas com suas próprias ideias. Um calar-se intuitivo. Observar. As palavras, se bem articuladas, agem tanto para o bem quanto para o mal. E “silêncio” nem sempre significa consentimento. Talvez eu tenha tirado umas férias das palavras – como se isso fosse possível, mas necessário se faz, às vezes.
Ficar a olhar. Possibilitar ao coração que se renove, possibilitar aos sonhos que reanimem, que venham à tona e façam cócegas à adrenalina. Escolher entre as oportunidades, caminhar por entre os desafios, fechar os olhos e enxergar mais longe. Revisitar a criança que um dia acreditou em impossibilidades e, por acreditar, elas se tornaram reais. Elas se tornam reais. Jamais esquecer, mas curar-se.
As palavras, que amigas de minha solidão por muitas vezes se fizeram, sempre estão ao meu redor. Às vezes me distraio com fatos enormes e esqueço os detalhes. Porém, quando observo a natureza mais a fundo, os fatos enormes se tornam apenas fatos, e nos detalhes é que percebo milagres. A minha inquietude possui fundamentos que vão além da minha compreensão; mas não me preocupo em compreender tudo; preocupo-me em manter-me inquieta e atenta, sem que isso retire de mim a alegria de viver que a vida traz em si mesma.
Ocupar a mente com a desocupação cotidiana de observar. De ouvir. De olhar mais. Sentir o que a poesia tem a dizer. Deixar-se estar nos olhos do outro e deixar que o outro brinque dentro dos olhos. Permitir-se conhecer palavras novas. Deixá-las descansando no imenso campo do meu vocabulário insólito.
A infinitude às vezes mora no que se observa; às vezes está dentro dos olhos do observador...
                                                                                                    por Elayne Amorim 
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