Não tenho filosofia. Eu tenho poesia

Constatação.


De repente eu amo.
Sem falar, sem mostrar, sem querer que vejam.
Sem explicar nem buscar saber. São momentos de relance de amor: às vezes é um aperto que dás em minha mão.
Vendo-te nu, dormindo, o amor e o desejo se mesclam, aí se expande dentro e fora de mim.

Poderia eu dizer que te amo o tempo todo? Vinte e quatro horas por dia? Até quando não penso em ti?

O amor não é doce. Nem amargo.

Eu sei que te amo. Não é às vezes; só não sei como pode ser sempre.
Eu sei que eu te amo agora.
Estás na lembrança. Estás na vivência. Estás nos planos.
Estás.
Não fugiste das minhas tempestades. Nas desistiras das minhas transmutadas tpms horríveis. Foste suporte, mas só até eu poder caminhar sozinha.
Contudo, não é nada disso e: é também isso tudo.

O amor é paradoxo. Não é suave; nem implacável.

Tenho medo de momentos assim: constatação. É um medo bom, é aquele medo do desconhecido. Ao contrário do que tudo indica, não sabemos nada sobre o “amor”. E, em momentos assim, houve um aprendizado profundo, uma constatação que a palavra é incapaz de traduzir, como a sensação do vento leve tocando numa folha a quatro metros de altura. Não dá pra saber; não dá pra traduzir. Só sentir e saber-se sentido.

A constatação de que te amo é a constatação também de que sou capaz de amar. E eu sei, também, que eu posso escrever dez mil versos de amor, mas nenhum deles será definição de amor.

O amor se expandindo dentro da gente é também uma explosão em algum canto do universo. Não sei como eu sei disso; só sei que eu sei.

De repente eu te amo.
E a intensidade nem sempre vem como fogos de artifício. Pode vir com lágrimas. Com versos. Com toques. Com o simples “estar”, porque estás aqui agora, dentro e fora de mim.

De repente eu amo.
A beleza no olhar do gato. Essa brisa da noite. A paciência dos cães. A inutilidade do essencial. O sabor amargo da cerveja. O saber viscoso da incerteza. A poesia nas formas das letras. A tua presença na minha cama, na minha alma, no meu coração.

por Elayne Amorim
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