Não tenho filosofia. Eu tenho poesia

DEFINIÇÕES

Traduzir-me.
Minha identidade é a palavra
então
sou infinita...
O verbo ser é anômalo,
Eu sou: uma anomalia verbal,
Mas gosto de ser.
Tanto o tudo como o nada são expressivos
O que seria de mim sem os paradoxos?

Gosto de mim quando sou gente.
Gosto de mim quando sou bicho.
Aprecio-me quando sou palavra
Forma e pensamento.

Um eu indissolúvel percorre em meu sangue.

Gosto do vento porque vou com ele
E desbravo matas, derrubo casas,
Surpreendo os desavisados.

Gosto de mim ao uivar, ao sorrir, ao chorar
Gosto de mim em formas disformes de pensamento
E quando entro em alguém é difícil deixar sair.

Eu domino a palavra silêncio.
Eu abomino a palavra faça,
O imperativo deveria ser apenas uma sugestão.
Portanto não faça, nem deixe de fazer
A tentativa é uma chance.

Gosto de mim assim, até quando me odeio
Admiro minha forma no espelho:
Já vi lágrimas e olhos reluzentes.

Prefiro os passos lentos
A correria já me deu alguns tombos...
Nesses anos juvenis já consegui compreender
Que a paciência é um exercício diário.

Ninguém me diz o que tenho que fazer
Minha revolta é constante
Prefiro as entrelinhas
Os entretempos
Um poema cheio de mudez
Que procura ouvidos atentos ao silêncio.

Tenho tentado uma definição para amor.
A impossibilidade de defini-lo já o define.
Ele possui um fim em si mesmo:
Somente quem o sente sabe o que ele é,
Uma palavra ou muitas palavras tentam explicá-lo;
Pra quê?
O importante é senti-lo, é tê-lo dentro de si
E passamos ter acesso a uma cortina de impossibilidades.
bati a poeira da minha roupa
lavei meus ferimentos ocultos
chorei todas as vezes que senti vontade
parei de querer entender o presente
consertei minhas asas quebradas
encontrei poesia na dor
deixei-me levar pelo horizonte
de repente percebi que o abismo também é altura
só se aprende a voar quando se cai
ou você se joga
ou você mergulha
mergulhei... 
existe um mundo infitamente maravilhoso chamado imaginação
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