Não tenho filosofia. Eu tenho poesia

Os caminhos... as verdades...



Já fui fogo e escorri por tuas mãos grossas de mentira
Tentei te envolver e tuas areias desgovernadas retiraram meu ar
Parei de respirar...
Os céus se abriram, foi fim de mundo ou fim de solidão
A tua mentira revelava minha verdade
Sim, te amei ao mais que pude e esvaí-me ao ar...
Juntei-me ao oxigênio que roubavas de mim
Parei de respirar:
Dei adeus ao teu adeus; não precisava de desculpas
Nem mentiras mais, nem nada.
Talvez tua verdade fosse minha mentira revelada:
Ilusão que eu criei entre uma poesia e outra
A cor dos teus olhos negrou minhas páginas brancas
Mas descobri que era necessário mais para parar de respirar
Coisas como inverno sem noites frias
Centelha de saliva para fazer o fogo arder
Só dizer a verdade, ou nada dizer
Estar aberto a mentiras mas também à verdade do outro
Lobos costumam procurar lobos...
Pertencíamos a mundos diferentes.
Não é que não era pra ter sido
Apenas foi o que tinha de ser
Às vezes percorremos caminhos contrários
Para encontrarmos a nós mesmos
Não lamento nada.
Talvez teu silêncio.
Talvez minha resignação
(que é tudo o que vai contra minha natureza).
Porém, minha própria natureza
Não me permitiria acender fogueiras onde nem sobraram cinzas.
Tu sabes, em algum lugar da eternidade estamos gravados.
O melhor das mentiras é que só nós sabemos a verdade
E o pior delas é saber-se estar pintado num quadro escuro
Que ninguém – além de nossa consciência – pode ver.
por Elayne Amorim
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