Não tenho filosofia. Eu tenho poesia

ALGUMAS COISAS QUE APRENDI COM A VIDA




Quando um homem levanta a voz, o respeito está chegando ao fim.
Pessoas que batem em animais tendem a bater em pessoas.
É melhor não se fazer coisas que não se tem vontade.
Que a gente pode se arrepender sim; só não é necessário viver com a culpa.
Quando o homem e a mulher levantam as vozes, é bom refletir se vale mesmo a pena continuar.
Há dores que duram o tempo que determinamos.
Há feridas que doem em suas cicatrizes.
Há dores que vão durar por muito tempo.
Não devemos nos acostumar com a dor.
O costume não costuma nos levar nem mesmo até o portão.

O perdão não só existe como é necessário.
Que alguns relacionamentos foram feitos pra durar apenas o instante de sua intensidade.
Que relacionamento, na verdade, é escolha; requer escolhas.
Há assuntos que não foram feitos para se conversar com determinadas pessoas.
Que não compreender (certas coisas/pessoas) faz parte da vida.
Que o inferno de um pode ser o paraíso de outros.
Que paciência (para quem não a tem) é exercício diário.

Que mudam-se os tempos, mudam-se as vontades;
mas nem sempre.
Que aprender dói, mas leva a um prazer inexplicável.
Que o medo, na maioria das vezes, é um instinto despertado por outros em nós.

Quando o homem ou a mulher levanta a mão para o outro, é melhor interromper agora.
Que há pessoas que vão detestar coisas que amamos.
Que se amar não é egoísmo.
Que amar ao outro como a si é uma filosofia difícil.
Que não há coisa mais irritante que a hipocrisia.
Que não há coisa mais decadente que ser hipócrita.

Ah, eu aprendi que gostar apenas não basta.
Que há escolhas que determinam uma vida inteira.
Que a pior mentira é aquela que nos tira nossa própria verdade.

Sei que ainda não compreendi totalmente o sentido da frase A Verdade vos libertará.
Que a palavra é uma das mais poderosas armas que temos. Só não sei qual seria a mais poderosa que ela.
Que não há como amar o que se faz se não há crença no que é feito.
Que nem todas as mulheres nasceram para serem mães.

Se você sobrevive ao deboche alheio quando está na adolescência, você poderá caminhar sobre brasas.
Que covardia é diferente de prudência.
Que temor a Deus não é ter medo de Deus.
Que é bom ser mulher.
Que leitura é hábito.

Que não fazer nada é estar se fazendo um bem enorme.
Que vontade e fé são coisas muito poderosas – inclusive perigosas.
Que fazer amizade com o garçom é sinônimo de se embebedar rápido.
Que saudade é palavra danada para um sentimento danado.
Que não dá para se ter uma visão total da realidade – não saberemos, jamais, o que é real.
Que planejar um livro pode levá-lo a escrever outros dez, menos aquele planejado. (Isso não bem verdade, mas é fato).
Que se eu quiser ir à Índia terei de juntar dinheiro.
Que riqueza material não tem nada a ver com Riqueza.
O direito de ir e vir é ferido pelo capitalismo.
Que uma das sensações mais maravilhosas é fazer aquilo que se gosta.

Algumas coisas eu aprendi.
Outras, tive de vivenciar para ter certeza.
Algumas coisas ainda não compreendi.
Outras, quem sabe, jamais compreenderei.
Não sou de “aceitar”, mas às vezes é necessário se conformar.

Na remada do rio da vida, ora remos a afinco; ora descanso pra observar;
Ora deixar que a tempestade leve longe
- esse longe desconhecido que assusta também é maravilha da vida –
Sete-de-Ouros sabia disso.
O objetivo é alcançado com paciência e sabedoria.
A vida: aprendizado.

por Elayne Amorim
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