Não tenho filosofia. Eu tenho poesia

Perseverante...


Perseverante. Sim, eu sou.
Perseverante nas escolhas, nas esperanças e nas crenças que se perdem pouco a pouco de nossas almas. Não quero que se percam da minha.
E assim, vou tocando a marcha da minha vida, na insistência de não deixar morrer em mim a beleza das cores, não vou deixar me degradar e nem me sucumbir à escuridão.
Sonharei. Sempre. Mesmo nos dias mais nebulosos e sangrentos, mesmo nos momentos em que a resistência parecer perecível e o mar estiver invadindo a terra.
Sou humana. E por dentro dos erros vou construindo uma ponte que me levará a um tempo melhor. Não tenho mais medo de errar. Só tenho medo de desistir. De não mais crer. De me perder de mim e da minha humanidade, tornando-me só mais um ser... só mais uma pessoa de carne e osso que se conforma. Que se cala. Que aceita as coisas como são, que aceita todas as coisas...
Se eu me tornar isso, é melhor não ter olhos e nem ouvidos e nem cordas vocais e nem pensamentos eu seria digna de ter. Eu não vou me calar. Eu não vou deixar de ver ou escutar o mundo, as almas, a natureza...
Perseverante. Não consigo e nem quero olhar para o horizonte e ver um fim. Um final triste e destruidor para esse mundo, eu quero que tenha jeito. Que as pessoas acordem do seu sono profundo da indiferença e da ignorância. Do lugar comum. Da cegueira que se apodera e lhes tira as forças de brigar, de gritar, de fazer tudo diferente.
E se riem de mim é porque estão incomodadas. Quero que riem de mim. Que duvidem de mim. Que me questionem e me xinguem. Quero cutucá-los na consciência e desafiar o que há de pior neles: a acomodação. Eu quero incomodar.
Esses seres humanos amontoados e entorpecidos sobre a terra, que se movem sem olhar pra onde e se escondem dentro de cascas que pensam ser inatingíveis. Corpos que agem por instintos e parecem não pensar, parecem sem forças e não passam de massas corpóreas que se movimentam conforme a música unilateral de uma única verdade.
Somos seres humanos e uma alma, um algo mais nos habita. Temos pensamentos, temos raciocínio, olhos e ouvidos e voz. Por que não mudar tudo agora? Por que não tornar o mundo melhor agora? O seu mundo e o mundo dos seus filhos e dos seus netos. Construímos história. Não viemos ao mundo apenas para pastar..., apenas para aplaudir boquiabertos as tragédias cotidianas que destroem a humanidade que reside em nós.
por Elayne Amorim
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