Não tenho filosofia. Eu tenho poesia

Correndo com palavras



Hoje eu tava pensando se quando a gente tá sofrendo muito, não devíamos escrever. A gente desleixa nas gramáticas, torna-se ferino, radical demais. Entretanto, se não for pra socorrer a gente num momento de desespero, para que servem as palavras? Os textos?
Aí resolvi sentar aqui e escrever um pouco, deixar o dedo deslizar pelas teclas e libertar minha alma (que já é tão livre, mas ao mesmo tempo tão fechada).
Deixar que o encantamento das palavras me desencante, como o príncipe beijando a Bela Adormecida, só que comigo desejo o contrário, quero que o príncipe me leve pra sonhar.
Bem, não escrevo diário. Acho muito angustiante relatar fatos tristes para depois reler e relembrar cada detalhe, nem gosto de guardar fatos alegres, porque eles passam e nos momentos de tristeza só servem pra aumentarem a nossa dor. É por isso que não gosto de diário. E é por isso que deixarei minha dor incognitada por baixo dessas palavras, pra que um dia, quando isso tudo acabar, eu possa reler esse texto e nem me lembrar do que se tratava, só apreciar sua beleza (ou o quanto desleixada eu estava) e, assim, poder sorrir.
Cheguei a conclusão óbvia: a gente deve escrever sim nos momentos de dor, ali, costumam sair os textos mais lindos ou os mais feios, mas estão sempre na extremidade, nas alturas do firmamento ou nas profundezas do abismo.
Escrever é uma dádiva. É como ter um terapeuta de plantão 24 horas por dia e se precisar ele faz serão. A gente se joga nos braços das palavras e elas nos embalam, nos ouvem, nos falam, brigam, e nos livram, pelo menos por alguns instantes, da depressão, da dor, nos faz esquecer um pouco que a vida nem sempre é bonita, ela perde o sabor às vezes.
E não há melhor coisa no mundo do que se sentir livre, e é por isso que menciono tanto o galope – o voo – a corrida dos lobos, (você já devia ter imaginado) pois tudo isso me faz vislumbrar a verdadeira liberdade, uma liberdade selvagem e inocente, que parece não ter fim. Eu me sinto assim quando escrevo. Minha alma fica mais leve, sinto-me como um animal livre, que corre sem parar, sem pensar, como quando abro os braços sobre o lombo de um cavalo e me vejo voar, sem fim...
Escrever é uma forma de aliviar a dor. É uma forma de respirar, contar até dez, ou cem, ou mil, e prosseguir na caminhada.
Abraços a todos vocês, leitores!                     Elayne Amorim
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